
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Roda moinho

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
A comunicação
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Coisa
Eu gosto do Bauman. Acho que ele é uma das pessoas que conseguem ver o ponto crítico a que chegamos. Seria o ápice do capitalismo? O consumo por consumo, a transformação das pessoas e sentimentos em mercadorias, a venda a qualquer preço.
O que eu penso é que por maior que seja a civilidade do ser humano, por mais que existam classes e regras sociais, o que o capital mostra é que o homem não é mais que bicho. Todos querendo ser donos da sua razão, achando-se donos do próprio nariz. Tadinhos, não têm idéia de que são resumidos ao instinto. Nas análises de comunicação publicitária e analisando a forma de consumo vê-se claramente: o homem precisa de sexo, comida e reconhecimento social e tudo isso se resume à vaidade.
A vaidade é cerne de tudo, a razão da compra. E como são montadas as fotografias publicitárias são montados também os seres humanos. Ele é objeto pela vontade de se igualar à imagem do anúncio. Ele quer ser o objeto. A mulher, por exemplo, quer ser a modelo da propaganda do jeans com cintura e nádegas "a la photoshop".
O objeto precisa do homem objeto pra sair por aí... para conhecer a vida além dos corredores dos shopping centers. O homem precisa do objeto, pra ser um outro objeto. Mais completo, mas ainda sim objeto.
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
O bem-estar
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Montanha-russa
Estudar a sociedade de forma crítica te abre olhos de tal forma, que você nunca mais verá o mundo do mesmo jeito. Já entro no parque analisando todos os detalhes, a comunicação visual, a inserção de marcas dentro do contexto da diversão, o atendimento, o apelo ao consumo. Pros outros não é nada demais, só um parque: bonito, legal, divertido. Pra mim: CPU funcionando, processando.
E começo a pensar: o que leva pessoas a ficarem no Sol, andarem muito e ainda ficarem em filas para serem sacolejadas por aquelas máquinas toscas? O que leva as pessoas a passarem o dia inteiro sob influência de lavagem cerebral para pensarem que “O HOPI HARI É LEGAL”? Putz, eu quase piro escutando musiquinhas do tipo: “Lá Lá Lis, no Hopi Hari vc é feliz!”
Aí, pensando e sentindo todo o processo da “experiência” de estar num parque de diversões, com todos os enlatados que se tem direito, comecei a desenvolver uma explicação para o enfeitiçamento do parque:
- As pessoas gostam da iminência de estarem se fudendo e depois ficam aliviadas, pois quando pensam que vão cair, acaba a brincadeira, como num sonho.
- O ser humano é um bicho, que por mais que se diga racional, parecem ratinhos de laboratório nas filas dos brinquedos para sentir o próximo medinho.
- O risco e o medo são coisas que fazem o ser humano conseguir sobreviver. Muitos falam do hábito como característica inerente aos indivíduos, mas se não gostassem de sentir o risco na pele, como justificar tanta gente que anda de montanha-russa?
- O ser humano gosta de provar seus limites e é masoquista. Porque pra estimular o medo e ser sacudido daquela forma não pode ter outra justificativa.
E tem outras coisas que pensei e esqueci. Talvez saiam em alguma mesa de bar. Eu, como humana, me enquadro em tudo isso e penso: sou bicho? Selvagem? Sei não, coisa estranha é ser gente, como já dizia Clarice.
A aura mágica desses parques encantam sim, mas também cansam. Parece que sugam toda a energia. Parece que a adrenalina abre tudo, abre os poros da alma e você sai deixando toda sua alegria extasiada no alto do Elevador, que do susto não te deixa nem gritar. Do susto, do medo, você fica muda. Mas o bom do parque de diversões é que retirada a trava de segurança, tudo não passa de susto. O ruim é na vida real, que o susto e o medo viram fantasmas, e estes não morrem mais.
Mas ir ao parque de diversão é muito bom. O que eu descobri é que é quase igual ao mundo real. Já vi antes aquela descida da montanha- russa e fiz como sempre: respirei, fechei os olhos e fui.
